comecei a cozinhar aos sete anos, eu acho! é assim que minha memória guarda a informação...
nesse tempo fazia bolos e fiquei famosa pela broa que aprendi com minha mãe, que por sua vez aprendeu com vovó Juju que deve ter aprendido com a bisa.
fazia isopor (assim o Walter chamava carinhosamente minha musse). o isopor era servido como sobremesa em almoços no palmital de lagoa santa, lugar no qual aprendi a fazer céu de noite de lua cheia (ou iogurte com lactobacilos vivos para os mais práticos). aprendi também a me virar sozinha (ou abrir enlatados, para os que gostam de especificações) coisa que aprendi na marra, pois a Dag tinha uma pedagogia da autonomia que funcionava bem: "ah não sabe? então aprende!"
nesse tempo também já havia ficado famosa por gostar de ajudar na cozinha e era sempre convidada para aprender novas receitas, novos truques.
lembro que era para minha irmã ter aprendido a cozinhar antes de mim, mas por um trauma com uma bolha de chocolate fumegante na perna (ou uma queimadura causada por mingau) ela deixou o aprendizado para mais tarde e acabei pegando o cargo de cozinheira-quando-a-mãe-não-está antes dela.
depois de aprender a me virar sozinha aprendi a inventar comidas. tudo bem que algumas invenções não foram tão inovadoras, mas até eu saber disso elas eram geniais! descobri uma coisa importante: sabendo refogar, cozinhar e fritar e sabendo o que se refoga, o que se cozinha e o que se frita, o céu é o limite numa cozinha!