onde, quando, com quem e porque!

aprendi a fazer muitos desses pratos com pessoas que passaram por minha vida. o que deixaram de lembrança-herança foram suas receitas deliciosas que aprendi, reformulei e tomei para mim.
aprendi a fazer beiju na minha primeira viagem sem meus pais para uma cidade distante. fui para Itaobim, no Vale do Jequitinhonha com meu irmão e Marcus. ficamos quinze dias fora de casa, tempo suficiente para sentir falta do lar e aprender a delícia do beiju. Fija ficava horas na beira do fogão. e eu ficava horas comendo na beira do fogão. um dia ela resolveu me ensinar e eu aprendi. queimei muita goma. caramelizei muito açúcar e fiz bastante fumaça na cozinha. voltando para Belo Horizonte trouxe quilos de goma para fazer beiju em casa. treinei bastante e inventei moda. Eva me ensinou mais truques. em Brasília aperfeiçoei minha técnica e descobri que meu maior problema é minha frigideira!

bolinho de feijão. lembro de ter arriscado a fazer bolinho de feijão um dia quando a madrinha preta estava em casa. lembro que deu certo. não sei porque mas eu já sabia fazer. um dia minha mãe teve a idéia de fazermos e eu disse que já sabia. compramos a farinha e não é que não ficou bom?! ficou duro e seco. Tutu deu a idéia de colocarmos fermento e bater bastante. assim fizemos e assim deu certo. bolinho fofinho. ganhei uma batedeira! adeus braços doídos de bater bolinho! bem-vindo bolinho fofinho!

tem coisa que a gente aprende e desaprende. aprendi a fazer massa de cachori e esqueci. não sei mais fazer. é um tal de ficar duro, de não ficar elástico, de fritar e furar. pastéizinhos deliciosos esses. aprendi com didi, monja que me iniciou na meditação, motivo pelo qual um dia fui hippie-vegetariana. aprendi não bem aprendido e antes de aprender bem, esqueci o caminho para fazer os tais pastéis de lentilha tão gostosos. saudades dos sábados no céu azul à beira do fogão. "come mais, come mais", dizia didi. e enchia meu prato.